Evento acontece, a partir de 22 de novembro, no Museu do Meio Ambiente no Rio de Janeiro, e aproxima o público da cultura do artesão

 Artesanato

Completando 20 anos de história em 2018, a organização Artesol realiza, pela primeira vez, o Festival Artesol, com exposição, seminário, oficinas e feira criativa, celebrando a diversidade de técnicas artesanais, matérias-primas e processos criativos no Brasil. O evento vai ocupar os salões do Museu do Meio Ambiente, no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, de 22 de novembro de 2018 a 31 de janeiro de 2019.

Com patrocínio exclusivo da Vale, através da Lei de Incentivo à Cultura, o Festival vai focar na perspectiva da Cultura Imaterial do fazer artesanal nacional, representado por artesãos das cinco regiões do país.

Além da conexão do público com os artistas, o Festival Artesol promove o contato com os biomas brasileiros, que fornecem as matérias-primas para o desenvolvimento das mais diversas técnicas artesanais. Também será possível observar a influência de referências sagradas e memórias ancestrais de povos indígenas, assim como tradições de povos africanos e europeus.

“Queremos dar visibilidade a essa forma tão verdadeira de arte que é o artesanato que brota do do encontro do imaginário do artesão com a matéria e as formas da natureza ao seu redor. Com o Festival, teremos, além da exposição, uma oportunidade ímpar para o debate, a troca de experiência e de compartilhamento de histórias autênticas”, afirma Sonia Quintella, presidente da Artesol.

Para os porta-vozes da Vale, patrocinar esse evento é poder compartilhar valor por meio da cultura e do conhecimento. “Na exposição, valorizamos o artesanato e os artesãos brasileiros que representam a rica diversidade cultural criativa do nosso país. Desta forma, colocamos a cultura no centro das reflexões sobre transformação social e sustentabilidade”, declara Christiana Saldanha, gerente de patrocínios da Vale.

O Festival vai reunir trabalhos de mais de 200 diferentes artistas vindos de todas as regiões do Brasil, incluindo indígenas das etnias Mehinako, Ashaninka, Juruna, Marubo e karajá. Dentre os artistas populares, destaque para as peças de Mestres Vitalino e Galdino (PE), Veio (SE), Nino (CE), Isabel (MG) e nomes reconhecidos pelo trabalho de co-criação com designers, como o caso de Espedito Seleiro com os Irmãos Campana.

Exposição Criativos por Tradição – Entre as peças selecionadas pela curadoria estão telas bordadas, animais criados a partir de galhos retorcidos da caatinga, figuras humanas imaginadas pelos mestres da madeira e do barro, trançados com fibras da Amazônia, do Cerrado, da Mata Atlântica e dos Pampas, potes de cerâmica inspiradas na arte rupestre do país, gibões e sandálias de couro da cultura sertaneja. O conjunto das obras expressa a potência criativa das comunidades artesãs.

Seminário Fazer Artesanal / Patrimônio Imaterial – Vai acontecer nos dias 23 e 24 de novembro, com a participação de especialistas em artesanato brasileiro em suas mais diversas perspectivas: patrimônio cultural, política pública, design, moda, empreendedorismo, sustentabilidade e mercado, além de outros temas voltados para a valorização do fazer artesanal.

Dia 23/11 Sexta-feira – Seminário – Festival Artesol

8h – Credenciamento
9h às 10h50 / 11h às 12h30
Mesa 1: Políticas públicas de apoio ao artesanato no Brasil
Roda de Conversa: Instrumentos de salvaguarda e seus resultados para a comunidade
Mediador: Professor Antônio Arantes
Convidados: Maria José de Souza (Associação para o Desenvolvimento da Renda de Divina Pastora)
Vandeli Costa Alves (representante da Associação Arte Miriti de Abaetetuba – Miritong)
Kailu Yawalapiti (representante da Associação YamuriKumã das Mulheres Xinguanas)

14h30 às 16h
Mesa3: Fortalecimento do artesanato com inclusão social dos artesãos
Mediador: Ricardo Gomes Lima
Qualificação do artesão para o empreendedorismo
Palestrante: Júlio Ledo
O tempo das mãos
Palestrante: Paula Dib

16h10 às 17h30
Mesa 4 – Roda de conversa: Cultura – Educação – Conectividade
Mediadora: Mariana de Mello e Souza
Convidados: Afonso Oliveira e Edna Maria da Silva (Fundação Joaquim Nabuco – Projeto Mestres dos Saberes)
Renan Quevedo – Projeto Novos para Nós
Josiane Massin – Projeto Rede Artesol

Dia 24/11 – Sábado – Seminário – Festival Artesol

9h às 10H20
Mesa 5: Roda de Conversa – O fazer artesanal na Moda
Mediadora: Carol Delgado
Convidados: Flavia Aranha
Nina Almeida Braga (Instituto E)

10H30 às 12h
Tradição com Inovação
Debatedores
Tema 1: A intervenção do design no produto artesanal de tradição
Palestrante: Adélia Borges
Tema 2: O trabalho do designer com povos indígenas
Palestrante: Sergio Matos
Tema 3: Processos de co-criação
Palestrante: Humberto Campana

14h às 16h15
Mesa 6: Artesanato e Mercado
Debatedores:
Tema 1 – As demandas e exigências do mercado
Maira Fontinelli – coordenadora do artesanato do Sebrae Nacional
Tema 2 – O papel dos lojistas na cadeia do artesanato
Anny Darakijian – representante da Associação para o Comércio Brasileiro (AsCabras)
Tema 3 – O artesanato como negócio na visão do artesão
João Gomes
Tema 4 – O trabalho das ONGs de apoio à abertura de canais de comercialização
Sonia Quintella de Carvalho

Oficinas – As oficinas vão acontecer nos fins de semana durante o período em que acontece a Exposição, permitindo um contato direto com técnicas artesanais através de atividades mediadas pelos próprios artesãos. Haverá vivências de pintura corporal indígena, trançados, bordados, renda, xilogravura, entre outras. As atividades são gratuitas e as inscrições poderão ser feitas no site http://festival.artesol.org.br/oficina/

25/11 – Domingo
Turma 1 – 09 às 12h / Turma 2 – 14h às 17h
Trançado em capim colonião com Mestre Juão de Fibra – GO
O trançado de capim colonião, encontrado no cerrado brasileiro, é uma criação exclusiva do artesão João Gomes e dos grupos capacitados por ele em Goiás. Conhecido como Juão de Fibra, ele é reconhecido no estado de Goiás como Mestre Artesão de Referência Cultural por ser um verdadeiro artista capaz de tramar com maestria, delicadeza precisão e autenticidade as fibras brasileiras. Entre as peças marcadas pelo design autêntico do artesão estão cestos, painéis, bolsas e bichos decorativos que contrapõem a rusticidade do capim com formas orgânicas e elegantes. A cestaria de capim colonião especificamente chama atenção pela delicadeza da trama com esse capim que é uma planta bastante rígida originária da África, mas muito comum no Planalto Central brasileiro.

25/11 – Domingo
Turma única – das 09 às 12h e das 14h às 17h
Renda Irlandesa com Maria José Souza de Divina Pastora – SE
O modo de fazer Renda Irlandesa da pequena cidade de Divina Pastora é patrimônio cultural imaterial do Brasil registrado pelo Iphan. A técnica de renda de agulha de origem europeia, ganhou no país expressão única e é produzida com primor pelas artesãs sergipanas desde o Brasil Colônia. Os lacês, espécie de cordão sedoso e achatado, marcam os caminhos que são preenchidos com a renda, formando grafismos variados, como motivos florais. As rendeiras riscam em um papel o desenho que desejam, costuram o lacê no papel que dá o contorno para a renda que preenche os espaços vazios, com a combinação de mais de vinte pontos.

30/11 e 01/12 – sexta-feira e sábado
Turma 1 – 09 às 12h / Turma 2 – 14h às 17h
Bordado Filé com Maria Patrícia dos Santos Silva de Marechal Deodoro – AL
O Bordado de Filé é registrado como Patrimônio Cultural Imaterial de Alagoas e possui o selo de identificação geográfica do Instituto Nacional da Propriedade Industrial. Na pequena cidade litorânea de Marechal Deodoro, o ditado “Onde há rede, há renda” confirma-se em toda sua riqueza. De origem europeia, o filé foi introduzido no Brasil pelos portugueses e a técnica consiste em criar desenhos de temas florais e geométricos sobre uma estrutura de rede, semelhante à rede de pesca.

02/12 – domingo
Turma 1 – 09 às 12h / Turma 2 – 14h às 17h
Reciclado com Getúlio Damado – RJ
“O amor é lindo e é de graça” é o tema do artista mineiro radicado no Rio de Janeiro. Com seu ateliê em Santa Tereza, bairro da capital carioca, ele se vale do conhecimento da família de marceneiros e transforma sucata em obras lúdicas, as quais ele chama de “engenhocas” – são móveis, brinquedos e peças de decoração muito criativas.

07/12 e 08/12 – sexta-feira e sábado
Turma 1 – 09 às 12h / Turma 2 – 14h às 17h (Entalhe e Impressão)

09/12 – domingo
Turma 3 – 09 às 12h / Turma 4 – 14h às 17h (Impressão)
Xilogravura com Erivaldo Ferreira da Silva – RJ
Gravurista desde seus 13 anos, Erivaldo Ferreira da Silva foi incentivado por seu pai, o poeta cordelista Expedto F. Silva, a aprender a técnica, criar e comunicar universos através da arte da gravura em madeira, onde o artesão entalha um desenho em relevo em uma matriz que depois é pintada para se fazer a reproduções. È uma técnica que se consagrou no Nordeste como uma expressão de arte e comunicação, representando o universo lúdico local.

14/12 e 15/12 – sexta-feira e sábado
Turma 1 – 09 às 12h / Turma 2 – 14h às 17h (Pintura em suporte)

16/12 – domingo
Turma 3 – 09 às 12h / Turma 4 – 14h às 17h (Pintura corporal)
Grafismos indígenas com Krapanpoi Kayapó e Nhankoro
A pintura corporal é uma característica marcante do povo Kayapó desenvolvida por mulheres desde que se tornam mães. As cores são resultantes de pigmentos naturais – jenipapo para o preto e urucum para o vermelho, que são aplicadas sobre a pele ou tecido com a ferramenta kwyky. Através de motivos e padrões gráficos representam a fauna e flora circundante num nível de conexão cosmológica. Krapanpoi e Nhankoro Kayapó são da aldeia Kaprankrere da Terra Indígena Las Casas PA e integram duas organizações, a Associação Floresta Protegida e Cooperativa Kayapó de Produtos da Floresta. Na oficina ministrada por eles teremos uma introdução sobre a produção dos pigmentos, ferramenta, aplicação e simbologia dos grafismos.

06/01 – domingo
Turma 1 – 09 às 12h / Turma 2 – 14h às 17h
Boneca Abayomi com Lena Martins – RJ
Abayomi em Iorubá quer dizer encontro precioso: abay= encontro e omi=precioso e é o termo utilizado para denominar a bonecas negras feitas com nós em retalhos de tecido. Arte educadora e militante do Movimento de Mulheres Negras, Lena Martins encontrou nessa arte uma forma de comunicar expressões sociais e culturais constituintes de nossas raízes. Fundada em 1988, a Cooperativa Abayomi estimula as relações de generosidade, o fortalecimento da auto-estima e reconhecimento da identidade afro-brasileira de negros e descendentes, para superar as desigualdades de gênero, integrando a cultural brasileira.

11/01 e 12/01 – sexta-feira e sábado
Turma 1 – 09 às 12h / Turma 2 – 14h às 17h

13/01 – domingo
Turma 3 – 09 às 12h / Turma 4 – 14h às 17h
Feltragem de Lã com Tânia Regina Tunes Furtado e Luciana Viana- RS
A Associação Ladrilã, fundada em 2010, trabalha com técnicas diversas na confecção de produtos inovadores utilizando a lã como matéria prima. Com a criação da Ladrilã, tanto a fiação como a tecelagem no tear tradicional voltaram a fazer parte do cotidiano de algumas artesãs. A lã é tosqueada no início do verão e volta a crescer em alguns meses, garantindo a proteção necessária às ovelhas.

18/01 e 19/01 – sexta-feira e sábado
Turma 1 – 09 às 12h / Turma 2 – 14h às 17h

20/01 – domingo
Turma 3 – 09 às 12h / Turma 4 – 14h às 17h
Bonecos Mamulengo com Edjane Maria Ferreira de Lima – PE
Mamulengos são bonecos entalhados em madeira de mulungu que ganham vida pelas mãos de quem os cria. No Nordeste são utilizados no teatro de bonecos encenado por artistas do povo, onde os atores são bonecos que falam, dançam, brigam e quase sempre, morrem.

25/01 e 26/01 – sexta-feira e sábado
Turma 1 – 09 às 12h / Turma 2 – 14h às 17h
Bordado Livre com Matizes Dumont – MG
Grupo de artistas que representam de forma única aspectos da nossa cultura com linhas e cores há mais de 30. A “bordação” proposta traz a oportunidade de “rebordar” a história de vida, num exercício de humanização e espiritualidade que é utilizada em processos de desenvolvimento humano e também em processos socioeducativos.

27/01 – domingo
Turma 1 – 09 às 12h / Turma 2 – 14h às 17h
Macramê com Araruna – RJ
Técnica criada na pré-história pra amarrar fibras e criar objetos, o macramê é uma forma de tecelagem manual na qual não se usa nenhuma ferramenta, somente os dedos e fios que se prendem por nós, formando uma infinidade de cruzamentos geométricos, franjas e formas decorativas.Macramê significa exatamente isso, “nó”. A oficina será ministrada por Quenia e Leila que empreendedoras por trás da marca Araruna e do ateliê Ubudh, que realiza projetos de moda pra várias marcas brasileiras e também projetos de design revelando identidade e histórias individuais.

Serviço
Festival Artesol
Festival da Cultura Imaterial no Fazer Artesanal
Data: de 22 de novembro/ 2018 a 31 de janeiro/2019
Seminário: 23 e 24 de novembro
Oficinas: fins de semana de dezembro/2018 e janeiro/2019
Feira criativa dos artesãos: 23, 24 e 25 novembro, das 10H às 19H
Local: Museu do Meio Ambiente – Jardim Botânico
(21) 2294-6619
Rua do Jardim Botânico 1008, Jardim Botânico, Rio de Janeiro – RJ, 22460-000
Entrada franca
Artesol
(11) 3082-8681
http://festival.artesol.org.br