SP-Arte 2018 recebe série “Garimpo de Grunas” do jovem artista Luiz Maudonnet

Luiz Maudonnet

“Garimpo de Grunas”: 155×41, Impressão em jato de tinta sobre papel algodão Hahnemühle 308g emoldurado em placa de Metacrilato Anti Reflexo

Do século 18 até meados do século 20, a extração de minérios era uma importante atividade econômica da bela região de serras situadas no centro do estado baiano, a Chapada Diamantina. O garimpo era presente em todo o território da Chapada, tendo a Vila de Igatu como um dos principais polos financeiros da época do garimpo. Igatu, que hoje tem 400 habitantes, chegou a ser ocupada por até 10 mil garimpeiros e suas famílias, que moravam em praticamente toda a região de serras em volta da vila.

Igatu, porém, tinha uma especificidade na forma de garimpo praticado lá: o Garimpo de Grunas, cavernas artificiais criadas pelo homem para extração de minério de até 2 km de extensão, escavadas pelos garimpeiros na busca por fortunas enterradas em suas profundezas. Atraído pela riqueza histórica do local e sua beleza natural, o artista Luiz Maudonnet, representado pela Galeria Artehall, produziu a série “Garimpo de Grunas”, resultado de uma pesquisa visual em torno do garimpo, realizada em janeiro de 2017 e fevereiro de 2018, que será apresentada na SP-Arte 2018.

Para este projeto, Luiz Maudonnet viajou para Igatu, acompanhado apenas de uma câmera analógica de médio formato de 1968 (mamiya C220), que gera um fotograma 6×6, quadrado, tornando possível a manipulação posterior, podendo girar e inverter a imagem com a mão para montar as obras finais. “Usei o filme Astia 100 que é um filme positivo, ou seja, ao revelar, a foto já aparece colorida. Todos os 20 filmes que levei estavam vencidos, portanto, cada um tinha uma particularidade de cor de acordo com a sua idade e tempo de vencimento. Cada filme me dava cores alternativas para a mesma cena e foi interessante deixar que o filme influenciasse no resultado final das imagens”, descreve o artista.

“Garimpo em Grunas”, de Luiz Maudonnet, é uma série composta por obras construídas com diversas fotografias de entradas de antigas grunas. “A produção das imagens das grunas só foi possível devido ao contato e convivência com os ex-garimpeiros de Igatu, que concordaram em me levar até as distantes e desativadas grunas em que trabalhavam na época do garimpo.” Após passar o dia caminhando pelas serras da Chapada na companhia de ex-garimpeiros, conhecendo suas histórias, Maudonnet teve acesso às antigas grunas, hoje, tomadas pela mata.

O olhar atento de Luiz Maudonnet determinou o trabalho que, mais tarde, se tornariam as obras em exposição na SP-Arte 2018. “A ideia de fotografar as entradas de grunas, de dentro pra fora, é que o brilho do lado de fora da gruna e as formas de cada entrada fotografada sejam uma referência ao brilho e às formas dos diamantes retirados em épocas passadas. Usando as grunas como tema central, quis falar sobre garimpo de uma maneira alternativa, sem necessariamente mostrar o garimpeiro com a batedeira. O ex-garimpeiro foi uma parte essencial da pesquisa para este trabalho, o contato com cada um deles era indispensável para mim, então, eu decidi contar a história deles convidando as pessoas a enxergarem as grunas pela visão de quem passava horas ali dentro, o garimpeiro.” explica Luiz Maudonnet.

Com 23 anos de idade, Luiz Maudonnet (foto) estreou no mundo da arte em 2017, quando participou da SP-Arte/Foto com a série “Fragmentos de Tempo” sobre o tempo amazônico, após passar três meses viajando pelas comunidades ribeirinhas do interior do estado do Amazonas. O olhar curioso e idealizador de um jovem artista aliado à responsabilidade no resultado de quem tem paixão pelo que faz renderam a Luiz Maudonnet êxitos dignos de profissionais maduros. O trabalho do artista já integra importantes coleções pelo país, incluindo a do Museu de Fotografia de Fortaleza, no Ceará.

Serviço:
SP-Arte/2018
Obra “Garimpo de Grunas” de Luiz Maudonnet: espaço da Galeria Arte Hall
Datas abertas ao público: 12 a 15 de abril
Quinta-feira a sábado, das 13h às 21h. Domingo, de 11h às 19h.
Pavilhão da Bienal – Parque Ibirapuera, Portão 3 – São Paulo, Brasil
(11) 3077-2880
https://www.sp-arte.com

Luiz Maudonnet
http://www.luizmaudonnet.com/


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